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Indústria do plástico caminha na direção da sustentabilidade


Fonte:NecNews - Redação Brasil - Abief


 

Hoje é impossível pensar a vida humana no planeta sem os plásticos. Desde as embalagens que conservam os alimentos por mais tempo até os materiais hospitalares descartáveis, que contribuem para evitar a propagação de doenças, são incontáveis os benefícios que o plástico trouxe e continua trazendo à humanidade. Com os plásticos, tudo ficou mais barato, mais fácil para transportar e mais prático de armazenar. Com eles, a vida ficou mais fácil.

É certo, no entanto, que algo precisa ser feito para evitar que o plástico — assim como outros produtos — polua o meio ambiente. Para a indústria, mudar essa situação significa caminhar na direção da sustentabilidade, ou seja, praticar os chamados 3R’s: Reduzir, Reutilizar e Reciclar.

Pautada por esse tripé, a cadeia produtiva dos plásticos vem reduzindo o consumo excessivo, estimulando a reutilização e promovendo a reciclagem mecânica e a energética (solução esta adotada por vários países para resolver o problema do lixo nas cidades).

Uma das iniciativas nesse sentido é o Programa de Qualidade e Consumo Responsável de Sacolas Plásticas. Lançado em maio passado numa parceria entre entidades da indústria do plástico, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e a Associação Paulista de Supermercados, ele prevê a substituição das atuais sacolinhas distribuídas pelos supermercados por outras mais resistentes, capazes de diminuir o seu consumo em cerca de 30% no período de 12 meses a contar da data de implementação do Programa.

O projeto piloto foi testado em supermercados da Grande São Paulo durante o mês de junho. O resultado foi surpreendente. Trinta dias depois da sua implantação, o consumo das sacolas plásticas nos pontos de venda dos supermercados que aderiram ao Programa caiu 12%. Em 30 dias, 40% da meta anual foi atingida!

A indústria do plástico partilha da preocupação de toda a sociedade com o meio ambiente e acredita na força da educação para incentivar as boas práticas, razão pela qual o Programa contempla, além da produção e confecção de sacolas mais resistentes, que dispensam a sobreposição (uso em duplicidade) e permitem também o uso da sua capacidade total (atualmente só utilizam a metade), ações para conscientizar o consumidor a evitar o desperdício de embalagens.

Um outro aspecto a se considerar seriamente se refere ao plástico proveniente da coleta seletiva, que é matéria-prima para a produção de outros produtos plásticos. É a chamada reciclagem mecânica, que permite esse reaproveitamento. No Brasil, o processo cresce à ordem de 12% ao ano.

O material que por qualquer razão não pode ser destinado à reciclagem mecânica também tem como ser reaproveitado, uma vez que os plásticos têm o mesmo conteúdo energético do óleo diesel. O Brasil já dispõe da tecnologia para o tratamento térmico de lixo que soluciona esse problema. É a chamada reciclagem energética, considerada uma das soluções para a necessidade de substituir os combustíveis fósseis por fontes alternativas de energia.

O modelo, adotado largamente em países como EUA, China, Japão, Itália, França e Suíça, entre outros — transforma lixo urbano em energia elétrica e térmica usando como combustível todo tipo de plástico (sacolinhas inclusive) que por qualquer razão não possa ser destinado à reciclagem mecânica. O processo permitiu à Alemanha, por exemplo, abolir os aterros sanitários do país.

Atualmente cerca de 150 milhões de toneladas/ano de lixo urbano são destinadas a mais de 750 instalações para usinas de geração de energia elétrica ou térmica espalhadas por todo o mundo, todas perfeitamente adequadas às mais rígidas normas ambientais. Só o Japão possui 190 unidades.

Plástico não é lixo. Ainda assim, a agressão provocada pelo descarte indiscriminado de resíduos plásticos no meio ambiente prossegue. A indústria está empenhada em tornar a reciclagem economicamente atrativa e em promover a educação ambiental em todo o país. Universalizar a coleta seletiva e penalizar os que descartam resíduos no meio ambiente, no entanto, ainda são desafios que se impõem a todos os que se preocupam com o futuro desta e das próximas gerações.

Francisco de Assis Esmeraldo

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